Eu que não me meto
na boca da noite
nem por custa de açoite
atravessar o Rio Preto.
É que lá tem um temor
fim de tarde na água ninguém fica,
que é para não servir de isca
para o bicho comedor.
A presa pode ser pequena, média ou exagerada
dizem que até já comeu uma mula arreada,
sem fazer esforço
deixando só o peão na canoa desgostoso.
O canoeiro já até o conhecia
num certo horário ninguém fazia travessia.
Só que certo dia
um coitado de tanto que pedia
resolveram fazer uma estrepolia
atravessaram o tal rio na hora que não podia.
Homens na canoa e na água a montaria,
foi chegar no meio do rio que começou a covardia
a besta relinchava das dentada que doía.
Seu dono declarado bom ladrão
desceu cabresto abaixo com punhal na mão
deu quantas furadas deixou seu pulmão
voltou na flor da água dizendo - não sei que bicho é não,
mas de certa que a vida dele acaba, se é que tem coração.
Uma semana se passou
o bicho não atacou
até que a notícia se espalhou
o bicho boiou, o bicho boiou.
O bicho boiado
era um surubim encabelado
que pra tirar d'água gostou seis bois carreiro
e se duvidar dessa história bem contada
é só puxar uma prosa como quem não quer nada
com Sr. Adão pedreiro.
Victor Manoel.