segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Menina de escola.

Porquê não tirei dez?
Talvez a penitenciária escolar não puna meu corpo, mas minhas vontades.
Quem sabe eu me sinta completa ao observar o pássaro ou incomodar meu irmão, 
por isso não tirei dez.
Ou quem sabe meu cérebro queira criar e não reproduzir e 
com isso não tiro dez.
E também não descarto a confusão que é meu professor
de ciência falar-me de Big Bang na aula e o mesmo me catequizar com o livro sagrado sem explosão nenhuma.
Esses são alguns motivos de não tirar dez
e sim 8,5.

Victor Manoel.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Aos que foram.

Estar de olhos abertos
sentindo a constante ânsia pelo alvorecer:
fato diário de esperança
energia movedora do cotidiano
que se consome em pensamento, pois todos vão:
ora
 para eternidade,
ora
para terras longínquas distantes de nossos cuidados
fora do alcance dos estímulos sensoriais
fazendo morada muda na lembrança.


Victor Manoel.

domingo, 5 de outubro de 2014

AMAR....................ELA.


 Amor e elo em uma única cor
que o sertão aprova no meio do tanto calor.
Faz brotar com o fertilizante da saudade  
a flor amarela que a seca invade,
invade morro, grota e margem
faz do peito humano solo que não carece de lavragem
onde a semente germina tendo na lembrança a imagem.
Imagem da flor
que é na seca a teima da Terra em querer amar todo instante.
Imagem da moça
que é no meu dia constante lembrar dum corpo distante.


Victor Manoel.

Um vasinho de plástico.

         Hoje; na verdade já faz uns dias, mas somente hoje surgira a semente de inspiração e a decisão que isto talvez seja benéfico de ser escrito.
Manhã calma, com seu costumeiro céu azul sem manchas, as árvores principalmente os oitis balançam com uma preguiça calorenta, pois vento fresco por aqui tarda chegar.
         Foi nesse cenário que ocorreu uma forte vontade de escrever mesmo que sem requinte esse pensamento originado da exata frase dita por Mãnhana:
         - Se não fosse essa samambaia essa orquídea jamais sobreviveria.
         Essa frase retrata a observação feita, e a ligação entre uma orquídea, aquela da flor branca com o miolo rosa, e uma intrometida samambaia que nasceu no furo onde escoa a água que é destinada a regar a planta principal do jarro, ambas nascidas em um vaso retangular de plástico que fica suspenso na varanda de minha casa. O curioso é a metafísica e a interação entre essas duas plantas, pois ocorrendo cinco vezes consecutivas diminui a possibilidade de mero acaso. Quando a orquídea estava vigorosa e florida a samambaia não muito bem vinda ao vaso, devido que essa se comparada com a magnitude das cores, forma e beleza da orquídea se torna banal, foi arrancada do furo embaixo do mesmo, não tardou para que as flores brancas e róseas murchassem tornando-se amarelas, cinzas e por fim pretas, as folhas cumpridas e verdes se tornassem amarelas e secas e isso se repetiu mais quatro vezes em diferentes épocas do ano e lugares da casa.
         A orquídea tem uma vontade própria de sentir-se perto ou até mesmo tocada, em suas raízes, pela samambaia que em retribuição ao carinho sempre traz consigo a vividez, cor e exuberância da orquídea.
         Essa relação de amor vegetal onde os sentimentos animais são inexistentes gera um imenso conflito sobre os conceitos afixados em nossa concepção, pois é inegável que exista uma relação de dependência, simbiose inanimada, entre ambas, mas fica a dúvida do que não podemos tanger devido sermos enjaulados por nossos sentidos ou por nossa própria escolha entre o real e o imaginário; que tendemos a escolher entre um deles visando o menor esforço do intelecto, visando melhor manipular os fatos e as causas por meio da aparência, que é nossa fórmula mágica da compreensão.




Victor Manoel.      

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Urubuservando a Seca.

Estático.
Observando a seca 
no abafado quente de 
caules e chão
esturricados.
Sentindo o deleite, 
da morbidez 
que paira no ar 
trazendo consigo a possível festa 
do carniceiro de olhos alegres à tamanha desgraça.
Sua espreita tem o desejo de morte
de ver vísceras expostas e podres,
quase assada com o calor, 
repousadas no chão.
Concretiza no voo 
seu agouro, 
pois quem 
observa vê
o espiral
 só esv
ain
d
o
.
                       

Victor Manoel.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Um lugar onde a chuva faz sentido.

     De tanto observar seus pássaros
acostumei olhar para os altos,
     de tanto deleitar com suas flores
acabei crendo nos amores,
     de tanto sentir suas montanhas
fui arrastado para suas entranhas,
     de tanto pensar em suas estradas
apaguei da lembrança as entradas,
     de tanto amar esse Cerrado
classifiquei-me como um Ser Errado.



Victor Manoel.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Historinha daqui.

Eu que não me meto
na boca da noite
nem por custa de açoite
atravessar o Rio Preto.

É que lá tem um temor
fim de tarde na água ninguém fica,
que é para não servir de isca
para o bicho comedor.

A presa pode ser pequena, média ou exagerada
dizem que até já comeu uma mula arreada,
 sem fazer esforço
deixando só o peão na canoa desgostoso.

O canoeiro já até o conhecia
num certo horário ninguém fazia travessia.
Só que certo dia
um coitado de tanto que pedia
resolveram fazer uma estrepolia
atravessaram o tal rio na hora que não podia.
Homens na canoa e na água a montaria,
foi chegar no meio do rio que começou a covardia
a besta relinchava das dentada que doía.

Seu dono declarado bom ladrão
desceu cabresto abaixo com punhal na mão
deu quantas furadas deixou seu pulmão
voltou na flor da água dizendo - não sei que bicho é não,
mas de certa que a vida dele acaba, se é que tem coração.

Uma semana se passou
o bicho não atacou
até que a notícia se espalhou
o bicho boiou, o bicho boiou.

O bicho boiado
era um surubim encabelado
que pra tirar d'água gostou seis bois carreiro
e se duvidar dessa história bem contada
é só puxar uma prosa como quem não quer nada
com Sr. Adão pedreiro.

Victor Manoel.



Meu, meu meu corpo.

O ser que me pertence
está contido na ocupação espacial exata
dos meus braços ao
tentar abraçar o mundo
estendido, aberto em movimentos de liberdade
de uma mão a outra. Todo esse único ser
é meu e sou eu.
Mortal morada chamada corpo,
rutilância vibrante das miúdas faíscas
da personalidade obscurecida,
escancara,
mesmo escondida em roupas,
sua nudez.
Do que adianta tapar o corpo
E mostrar os olhos?
Podendo tapar os olhos
mostrarás os cabelos
podendo domá-los
não conseguirás jamais adestrar os músculos
para não expressarem o que tem no cerne.
Os movimentos não são só para deslocamento ou conquista.

Victor Manoel.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Cãochoro

minhas desculpas, lembranças, agradecimentos estão no olhar
não tenho poder da fala, antes expressava com meu pular,
mas nesse momento minha expressão é rastejar.
boca seca
olho fundo 
corpo cheio de greta
pés insistem em andar no mundo.
sei que sou cão,
pois quatro pés tocam o chão 
enquanto mal me equilíbrio com as batidas do coração,
(sem exagero, de tão fraco que estou ou de tão fortes que elas são, me causam elevação)
o costume de correr, lamber, saltar fazer malabarismo com o rabo isso só na imaginação.
agora meu costume é sentir fome: 
ontem senti fome 
amanhã sentirei fome
agora sinto fome
(sem falar na sede, nas chagas, no frio...)
e nesses mesmos tempos sou companheiro daquele que me doou isso que me consome.

Victor Manoel.

terça-feira, 25 de março de 2014

Muito.

Tão linda é arte a do tear,
uma sequências de emaranhados traços
que infinitos laços
fazem o reto mudar.

Tão pura é a felicidade em tê-la,
dois seres unidos num abraço
firme como aço
que eternidade sela.

Tão incerta é a possibilidade de ter ar,
caminhantes por infindáveis espaços
que o instante pode tornar estilhaço
e esse é o motivo para se alegrar.  

Victor Manoel

 


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Titânica morena.

                                                                                                   À uma maçã em corpo de mulher.


Titânica presença desses miúdos olhos 
tiram toda capacidade cerebral 
de pensar no nada e no fim.

Destes à mim uma textura para os vazios
representada por teus negros e densos cabelos 
caídos ora lado ora outro e sempre comigo.
  
Seu  corpo com relevo montanhoso me doa
arrebatamento nas imagens que vejo com a pele: 
superfície, curvas, vales....

A cor que colore teu âmago
se mostra em toda sombra, leva força, cheiro e aconchego;
morena.

Victor Manoel.

Mãeminha.

Mãnhana
Mãe dama
Mãe minha
Mãe santa
Mãe doce
Mãedrinha

Mãe dadeira
Mãe sabida
Mãe vivida
Mãe cabreira
Mãe solteira
Mãe sofrida

Mães que indagam só de olhar
Mães que amam ao cozinhar
Seres estranhos para se falar.

Victor Manoel.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ensiladeira

trec, trec, trec
tudo
em
tom
de
estalo
se
transforma
em
trato.
Tudo:
triturado,
transportado,
tampado.
só a terra
triste
transpira
sua nudez.

Victor Manoel.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Estrada.

ante
ao 
adiante,
pensante,
errante,
caminhante por trepidante estrada
guiada 
por alvorada
de pura sensação esperançada

Victor Manoel

Poema sem nome

No avesso de todas as fórmulas
no indizível de todas as formas,
o abstrato concreto e sem nome se faz verdade.
O sinto, por isso digo concreto,
não vejo, por isso digo abstrato;
flui sem padrões, por isso digo sem nome,
até que na fluidez poderia o dizer: rio,
porém teria margens e limite de profundidade...
quanto ao arroubo poderia o apelidar de mangaba
pelo exagero de sensações desencadeadas com leve toque de lábios,
no entanto se limitaria à alguns meses do ano
e medida de tempo é Física demais para algo
que não carece de nome
e sim de dois corpos quase ocupando o mesmo lugar no espaço.

Victor Manoel.






sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Homemterra Terrahomem

Povo Terena
Na luta terrena,
Choram
O rio atingido pela fonte de renda
Que nada mais pode além de desferi sua súplica serena
Em forma de chuva molha e dá pena,
Sem rancor, nada condena. 

A alma da mata
Carregada pelo índio, intimamente inata,
Arraigada na pele no osso, sem farsa,
De muito dói ao ver a vida vendida numa lata:
Arrancada, manipulada e apreçada, sempre barata.

Justificação pelo capital
Muito raramente não dissemina o mal,
Acinzenta as folhas, amiúda morros e corta o pau
Leva o povo preso num invisível curral.

Inúmeras nações nativas
Com suas terras antes vivas,
Agora molhada por gananciosa saliva.

Mataram Sepé e Ajuricaba
Mas o espírito, o espírito não se acaba.

Homens com galhos, troncos e raiz   ..
                                                 ..     ..    ..
                                               ...      ..    ..
                                               ...      ..     ..
                                                ...      ..     ...
                                                 ...     ..      ... 
                                                  ...    ..      .. 
                                                   ..     .       .                                   
                                                   ..
                                                    .  

Victor Manoel.