quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Deriva

 Estalidos de pratos quebram o silêncio.

Imóvel, o corpo faz sua parte com o mundo.

O peso e forma são constante, somente o enlevo feérico parece delgado.

Algumas perguntas são respondidas com a própria pergunta,

não têm intenção de saber, apenas mostrar  a fala.

A ausência não está na cadeira, ela se mostra na busca desequilibrada dos olhos.

Lembranças ora lembradas, 

agora fazem parte do presente pelo constate esforço da repetição.

Os panos dobrados, os belos bordados, o exímio cuidado

sustentam a alma de um corpo cansado.  

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Cérebro que(i)cante

Assim como o pingo d'água 

é música na boca de quem tem sede,

quero um cérebro que cante

todo labor que a vida teve.

Que rodopie e que faça correr vento,

pelas miúdas arestas de cada momento.

Quero um cérebro quicante

mesmo em estagnado lamento.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Caa tinga

Um pensamento solto,

chega no úmido da terra 

que beira a cisterna,

tira descanso 

na pouca sombra do facheiro,

faz-se pedra

à margem do açude,

pula de azul em branco 

na imensidão da caatinga

volta para mente não mais 

em forma de pensamento,

mas de intuição. 



terça-feira, 7 de maio de 2024

Certeza do talvez

 A certeza do talvez 

é maior que qualquer certeza,

a não ser,

que a certeza seja sobre 

nascer e pores do sol e da lua.

Amiudar-se diante do repentino

talvez seja uma certeza.

domingo, 22 de outubro de 2023

linha tramada

 a linha se trama

feita de nós, do entre e do eu

e no espaço que se rama

surge o  desenho colorido e emaranha

tudo que o carinho cedeu.

sábado, 2 de setembro de 2023

Odor da Terra

 O derradeiro brilho no céu

abre espaço para penumbra e frescor.

Ao longe se inicia o instante, 

o chamado da Terra.

a Terra exclama 

a Terra chama

a Terra ama.

Ama em cheiro que lembra momento:

odor dançante do maestro vento.


segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Choveu.

De pingo em pingo

a terra encharca,

transborda a poça

e o chão se lava.

 

Lava folha

poeira e estrada.

O caminho cria cheiros

e dá rumo.

um rumo que se esbarra.

 

Esbarra e grita

com o prazo do momento.

A chuva cessa, é preciso

ouvir sereno.