quinta-feira, 8 de maio de 2014

Historinha daqui.

Eu que não me meto
na boca da noite
nem por custa de açoite
atravessar o Rio Preto.

É que lá tem um temor
fim de tarde na água ninguém fica,
que é para não servir de isca
para o bicho comedor.

A presa pode ser pequena, média ou exagerada
dizem que até já comeu uma mula arreada,
 sem fazer esforço
deixando só o peão na canoa desgostoso.

O canoeiro já até o conhecia
num certo horário ninguém fazia travessia.
Só que certo dia
um coitado de tanto que pedia
resolveram fazer uma estrepolia
atravessaram o tal rio na hora que não podia.
Homens na canoa e na água a montaria,
foi chegar no meio do rio que começou a covardia
a besta relinchava das dentada que doía.

Seu dono declarado bom ladrão
desceu cabresto abaixo com punhal na mão
deu quantas furadas deixou seu pulmão
voltou na flor da água dizendo - não sei que bicho é não,
mas de certa que a vida dele acaba, se é que tem coração.

Uma semana se passou
o bicho não atacou
até que a notícia se espalhou
o bicho boiou, o bicho boiou.

O bicho boiado
era um surubim encabelado
que pra tirar d'água gostou seis bois carreiro
e se duvidar dessa história bem contada
é só puxar uma prosa como quem não quer nada
com Sr. Adão pedreiro.

Victor Manoel.



Meu, meu meu corpo.

O ser que me pertence
está contido na ocupação espacial exata
dos meus braços ao
tentar abraçar o mundo
estendido, aberto em movimentos de liberdade
de uma mão a outra. Todo esse único ser
é meu e sou eu.
Mortal morada chamada corpo,
rutilância vibrante das miúdas faíscas
da personalidade obscurecida,
escancara,
mesmo escondida em roupas,
sua nudez.
Do que adianta tapar o corpo
E mostrar os olhos?
Podendo tapar os olhos
mostrarás os cabelos
podendo domá-los
não conseguirás jamais adestrar os músculos
para não expressarem o que tem no cerne.
Os movimentos não são só para deslocamento ou conquista.

Victor Manoel.