quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Recomendações das nuvens
Recomendações das nuvens
P;...P;...
Pin, Pin Pin...
Pinga! pinga!
Pingo pinga!
Perpetua tua sina!
Leva contigo a fruta, a lima,
As cores irreplicáveis surgidas aqui em cima!
Escoa teu encanto
Em forma de pranto
E com som de acalanto
Para que nos mais longínquos cantos
O sofredor da terra seja coberto por teu manto!
Abasteça o rio!
Molde o calcário!
Deixe uma dose de frio
Nas manhãs representadas pelo orvalho!
Victor Manoel.
Tropidurus
Tropidurus
Animalzinho de fácil convivência.
Pequeno, quase sempre escondido motivado por seu sangue frio, ora sol ora
sombra. Higienizador de quintais, combatente de tropas daqueles munidos com
exoesqueleto, em principal a representação do abominável, para muitos, a pobre
barata. Réptil por cumprir as exigências da classe, ele sem demasiado esforço
muda seu plano de marchar, pouco importa se é vertical ou horizontal não tendo
superfície deveras lisa seu andar é o mesmo. Pegou fama entre os meninos de “concordador”
, todas as perguntas que lhe fazem a resposta em brusco movimento concordante é sempre a
mesma, parece até que concorda por vontade. Criatura incrível, como todas as
observadas com minúcia, suas defesas são um tanto drásticas, pois automutilação por contração muscular de um pedaço do corpo é um ato que lhe custa dor e
imperfeição e produzir forte som na corrida descreio ser tão eficaz, mas se o
perigo vem de um ser humano esse sim há de se espantar, sempre o primal
pensamento é que seja um animal com grau de periculosidade maior.
Foi na Serra
do Taquaril que num dia de grande agonia e busca incessante por respostas que
não sei a origem das perguntas, fiz do nascer do Sol uma fonte de soluções, só
não esperava vivenciar tamanha interação com o misterioso animal supracitado.
Acordado desde o segundo cantar do galo, tomado por um desespero que incita o
caminhar rumei antes do raiar do dia para o encontro do astro rei.
No trilhar,
com a consciência obnubilada não sabia ao certo, mas para fins de momento tudo
eram mensagens endereçadas a mim: o voo do mosquito, a placa do carro, o canto
das aves, as cores das casas. Parecia que o segredo de todos os cosmos estava
sendo revelado em singelas manifestações que deveria eu compreendê-las. Cheguei
ao topo da serra onde se tem uma boa visão do banho de luz da vegetação, no
entanto uma torre repousa nesse mesmo lugar impedindo assim a total harmonia
com o meio, mas foi motivo de essa existir que nesse dia experimentei algo
esplendoroso. Buscando cegamente por tais respostas me coloquei de costas para
torre e frente ao leste esperando a magia acontecer. Estando ali por quase duas
horas comecei a perceber a ridícula situação que me encontrara, logo decidi ir
dali. Quando tomei a trilha de volta enxerguei preso dentro de um buraco cavado
no muro que protege a torre um calango, que pelos indícios parecia ter
adentrado ali devido seu reflexo ameaçador em um espelho ao fundo dessa incisão
no cimento. Agora frente para torre e costas para leste, fiz um esforço
hercúleo para retirar da prisão o inocente que mal sabia que era ele mesmo no
espelho, a façanha deve ter perdurado por umas quatro dezenas de minutos até
que o libertei passando pela fina tela que lhe deixou marcas.
Após o
acontecido uma sensação de plenitude me tomou em involuntário abraço, pude
perceber que aquele ser que não entendo sua fala e que acabara de ser liberto
de alguma forma, como por gratidão, me doou as respostas que eu nem buscava, mas
que eram as que eu realmente precisava.
Nesse dia o
Sol não se mostrou; tempo de chuva. Banhei-me nela.
Victor Manoel.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Sujeição ao simples
Sujeição ao simples
Nada é simples.
Nada é nada.
O que foi simples nada foi.
O simples por simples não existe.
Existir não é simples!
Os hábitos podem toldar a percepção do simples,
Pois o simples real
Doa a possibilidade
Socialmente inaceitável de ser
Simples.
De perceber o todo como teia harmonizada,
Talvez não bela,
De sucessões e acontecimentos.
O simples verdadeiro
Permite perceber::
A música luminosa das estrelas.
A arte em ponto e cruz da Lua.
A vida em onda de calor.
A aparição das cores no Sol nascente.
A carícia do vento.
A magia da semente.
A pequenez, mas não insignificante, condição humana.
O simples constituído de contemplação
Pode ser fonte da eterna satisfação e alegria
De um ser
SIMPLESMENTE HUMANO.
Victor Manoel
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Companheira
Companheira
Sempre vestida de branco e anil.
Carregada de amostras da terra Brasil,
No detalhe malhado
Diariamente ornado com:
Poeira; barro e toá.
Contigo já chorei, gritei e imaginei
Que amei.
Já subi, desci me despedi,
Consegui até me ferir.
No aconchego de teu colo
Cri ser tocado por gente,
Resultado da contemplação
Do infinito que forma tua corrente.
De braços dados fomos e iremos
Juntos no rumar.
Você concretização do podemos,
Não simples objeto de pedalar.
Victor Manoel.
MarcaDOR.
MarcaDOR.
Lá se foi mais um dia
Nas badaladas daquele que marca os minutos.
De hora em hora seu som me judia
Por sempre ouvi-lo sem nada resoluto.
Hora após hora o dia chega ao final
Por vezes lento,
Por outras tormento,
Mas esse são mesmo os de categoria normal.
De olhos atentos à sua cega e elétrica sina de girar
Ponho-me com muita profundidade a pensar
Como um objeto pode ter tal rotina de trabalho?
E eu por não ter tal rotina e ser humano nada valho?
Victor Manoel.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Um amor possível, segundo Nietzsche.
sábado, 2 de novembro de 2013
DEU-Se
DEU-Se
Deu-se dessa forma:
Tudo criado
Tudo surgido
Mundo caiado com explicação morna
A forma de vida primal
Aparecida
Moldada
Todo o ocorrido num período semanal?
Nam! Nam! Não!
Esqueçam a indagação
Forma altamente punível
Demonstração clara de profanação.
O nu homem primeiro
Denominado Adão
Tome ele como eterna verdade
Senão, senão....
Victor Manoel
Haja Para (finalidade)
Haja Para (finalidade)
Haja calor
Para tão miúda roupa.
Haja furor
Para alegria tão pouca.
Haja pudor
Para existência tão louca.
Haja torpor
Para não atacar tua boca.
Aja Amor!
Porém, nunca lhe buscarei noutra.
Victor Manoel
Haja calor
Para tão miúda roupa.
Haja furor
Para alegria tão pouca.
Haja pudor
Para existência tão louca.
Haja torpor
Para não atacar tua boca.
Aja Amor!
Porém, nunca lhe buscarei noutra.
Victor Manoel
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