Assim como o pingo d'água
é música na boca de quem tem sede,
quero um cérebro que cante
todo labor que a vida teve.
Que rodopie e que faça correr vento,
pelas miúdas arestas de cada momento.
Quero um cérebro quicante
mesmo em estagnado lamento.
Assim como o pingo d'água
é música na boca de quem tem sede,
quero um cérebro que cante
todo labor que a vida teve.
Que rodopie e que faça correr vento,
pelas miúdas arestas de cada momento.
Quero um cérebro quicante
mesmo em estagnado lamento.
Um pensamento solto,
chega no úmido da terra
que beira a cisterna,
tira descanso
na pouca sombra do facheiro,
faz-se pedra
à margem do açude,
pula de azul em branco
na imensidão da caatinga
volta para mente não mais
em forma de pensamento,
mas de intuição.