quarta-feira, 2 de abril de 2014

Cãochoro

minhas desculpas, lembranças, agradecimentos estão no olhar
não tenho poder da fala, antes expressava com meu pular,
mas nesse momento minha expressão é rastejar.
boca seca
olho fundo 
corpo cheio de greta
pés insistem em andar no mundo.
sei que sou cão,
pois quatro pés tocam o chão 
enquanto mal me equilíbrio com as batidas do coração,
(sem exagero, de tão fraco que estou ou de tão fortes que elas são, me causam elevação)
o costume de correr, lamber, saltar fazer malabarismo com o rabo isso só na imaginação.
agora meu costume é sentir fome: 
ontem senti fome 
amanhã sentirei fome
agora sinto fome
(sem falar na sede, nas chagas, no frio...)
e nesses mesmos tempos sou companheiro daquele que me doou isso que me consome.

Victor Manoel.

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