Hoje; na verdade já faz uns dias, mas somente
hoje surgira a semente de inspiração e a decisão que isto talvez seja benéfico
de ser escrito.
Manhã calma, com seu costumeiro céu azul sem manchas,
as árvores principalmente os oitis balançam com uma preguiça calorenta, pois
vento fresco por aqui tarda chegar.
Foi nesse cenário que ocorreu uma forte
vontade de escrever mesmo que sem requinte esse pensamento originado da exata frase
dita por Mãnhana:
- Se não fosse essa samambaia essa orquídea
jamais sobreviveria.
Essa frase retrata a observação feita, e a ligação
entre uma orquídea, aquela da flor branca com o miolo rosa, e uma intrometida
samambaia que nasceu no furo onde escoa a água que é destinada a regar a planta
principal do jarro, ambas nascidas em um vaso retangular de plástico que fica
suspenso na varanda de minha casa. O curioso é a metafísica e a interação entre
essas duas plantas, pois ocorrendo cinco vezes consecutivas diminui a possibilidade
de mero acaso. Quando a orquídea estava vigorosa e florida a samambaia não
muito bem vinda ao vaso, devido que essa se comparada com a magnitude das
cores, forma e beleza da orquídea se torna banal, foi arrancada do furo embaixo
do mesmo, não tardou para que as flores brancas e róseas murchassem tornando-se
amarelas, cinzas e por fim pretas, as folhas cumpridas e verdes se tornassem
amarelas e secas e isso se repetiu mais quatro vezes em diferentes épocas do ano
e lugares da casa.
A orquídea tem uma vontade própria de
sentir-se perto ou até mesmo tocada, em suas raízes, pela samambaia que em
retribuição ao carinho sempre traz consigo a vividez, cor e exuberância da
orquídea.
Essa relação de amor vegetal onde os
sentimentos animais são inexistentes gera um imenso conflito sobre os conceitos
afixados em nossa concepção, pois é inegável que exista uma relação de
dependência, simbiose inanimada, entre ambas, mas fica a dúvida do que não
podemos tanger devido sermos enjaulados por nossos sentidos ou por nossa
própria escolha entre o real e o imaginário; que tendemos a escolher entre um
deles visando o menor esforço do intelecto, visando melhor manipular os fatos e
as causas por meio da aparência, que é nossa fórmula mágica da compreensão.
Victor Manoel.
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