a linha se trama
feita de nós, do entre e do eu
e no espaço que se rama
surge o desenho colorido e emaranha
tudo que o carinho cedeu.
a linha se trama
feita de nós, do entre e do eu
e no espaço que se rama
surge o desenho colorido e emaranha
tudo que o carinho cedeu.
O derradeiro brilho no céu
abre espaço para penumbra e frescor.
Ao longe se inicia o instante,
o chamado da Terra.
a Terra exclama
a Terra chama
a Terra ama.
Ama em cheiro que lembra momento:
odor dançante do maestro vento.
De pingo em pingo
a terra encharca,
transborda a poça
e o chão se lava.
Lava folha
poeira e estrada.
O caminho cria cheiros
e dá rumo.
um rumo que se esbarra.
Esbarra e grita
com o prazo do momento.
A chuva cessa, é preciso
ouvir sereno.
Um dia desapercebido
entendi:
que o melhor jeito de encontrar toco
é olhar para cima;
que o rio, mesmo pouco
é obra-prima;
que o pássaro no pouso
não desafina
e o que se tem de mais tolo
é o que não desanima.