terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ABC do Amor.

                                                   Memória de Alvino Vitor popular Vico.
                                                            Uma pena estar incompleto


O A é a primeira letra que eu aprendi a fazer,
amando sem ser amado sofrendo sem merecer.
O B quer dizer balança que pesa com todo jeito,
também pesa uma saudade que esta dentro do meu peito.
O C quer dizer corrente, corrente de uma prisão
agora sei que estou preso dentro do teu coração.
O D quer dizer desenho pra quem sabe desenhar,
desenhei a minha vida somente pra te amar.
O E diga esperança, esperança eu sempre tenho
tô cansado de chorar e esperar por que não vem.
O F quer dizer fui algum dia poderoso
tudo pra vocês é fácil tudo pra mim é custoso.
O G quer dizer ganha quem ganha tem alegria,
agora sei que ganhei tristeza e melancolia.
O H quer dizer hoje, hoje mesmo eu vou dizer:
amando sem ser amado sofrendo sem merecer.
O I quer dizer inveja, que inveja você tem
amando sem ser amado sofrendo sem querer bem.
O J quer dizer jogo, jogando pra divertir
jogar pra ver se eu ganho um amor que eu já perdi.
O K quer dizer quilo (kg) que pesa quilo e grama se quiser casa nois casa
se quiser sumi nois some.
O L diga loucura
por conta dessa morena to riscando a sepultura.
O M quer dizer morte a morte que nos consome,
morena quando eu morrer seja firme  no meu nome.
O N quer dizer nunca, pensando que eu não sabia
fazer ingratidão coisa que eu não merecia.
O P quer dizer põe a mão aqui no meu peito
para ver meu coração como te chama perfeito.
O O quer dizer orgulho deixa de ser orgulhosa
vai indo o orgulho acaba você fica carinhosa.
O Q quer dizer quero que eu queria te deixar,
quem contou falou mentira só para ver você chorar.
O R quer dizer ruína para quem arruinou meu coração,
to cansado de fazer carinho só recebo ingratidão.
O S
O T
O U
O V quer dizer vencido quem vence ganha vitória,
eu ainda tenho esperança que minha sorte melhora.
O X
O Y
O W
O Z.


O homem que mora naquele corpo.

Reteso, solidificado e rijo dentro de si.
Não egoísta, somente vivente e cúmplice de suas próprias desilusões,
mais positivamente ilusões também,
segue o homem de andado curvo e apressado.
Hóspede de seu eu,
o põe à prova em todo instante para que de si saia somente o de mais belo para ofertar a outrem.
Verifica constantemente a valia da fala se isso, aquilo deve ficar intrinsecamente alojado ou deve povoar o ar e se tornar eterno ao ouvinte,
para o ouvinte pode não ser eterno,
mas pelo ar terá eterna propagação e isso já é grande responsabilidade.
Talvez não diga tudo que pensa,
portanto tudo enquanto se torne fala será representação de probo sentimento ou ideal.
Esse é um pedaço do homem que ama,
sem nem pensar na cama,
mas pela embriaguez extática que emana de sua coma.


Victor Manoel. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Décima do Boiadeiro.


    Alvino Vitor alma sertaneja da Zona da Mata, declama a Décima do Boiadeiro, trova afamada nas banda de sua terra.
                                                                Link para o vídeo.

Boa noite meus senhores que eu estou chegando agora
Sou boiadeiro do campo sou sertanejo de fora
Onze anos eu andei no meio dos sertanejo
Na cidade de Aruaxá (Araxá) aprendi todo manejo
Depois de tudo aprendido que eu estava preparado
No auxílio de São Jorge com meu corpo foi fechado
45 mil-réis já custou meu chapéu 
O homem que não gosta da vida morrendo não vai no céu
45 mil-réis minha espora custô
2 quilo e 200 gramas só a roseta pesô 
Eu fui passando no caminho tinha moça na janela
Eu peguei na mão da moça e perguntei o nome dela
Eu me chamo Dulcelina sobrenome de Teteia
Teteia me encomendou para nada eu beber
Eles põe a gente tonto para depois bater
O batuta Chico Rita foi desse que eu tive pena
Depois de bem amassado eu passei nele a chelena
Entrei na rua Ouro Prata saí na rua Ouro Glória cortei todo esse chão com vinte e quatro hora. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um pedaço de Min(as).

Silhuetas exortativas no horizonte.
Extravagantes curvas verticais.
A luz banha o monte
assim nasce o dia nas Gerais.

As muitas aves parecem brotar,
das árvores, das nuvens, do azul.
Na paisagem tudo tem seu lugar
tudo formosamente nu.

O sofrimento do solo,
no azedo e doce da fruta
representação saborosa de uma luta.

A calmaria colorida
embebida na vereda florida
onde a terra sempre oferece colo.




Sentimento afeito.

                 Ao menos eu fosse agora abraçado por uma donzela (de ferro) saberia explicitar essa dor aflita de cada instante. Esse colete de ferro gusa ateado ao peito, que tanto custa a respiração. Dor que não arroxeia. Não inflama. Nem expeli hemácia. Dor que somente dói. Dor do mundo. Dor do mudo.... sem palavras....

Passados.

Pretérito Imperfeito:
Nunca amei
Pretérito Perfeito:
Amei
Pretérito-Mais-Que-Perfeito:
Ainda nos damos as mãos .
Melhor possível conjugação semântica do verbo amar. 


Victor Manoel.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um certo homem.





Eita homem falador!
Fala de tanto, mas de nada melhor fala
que de sua própria dor.
Ocupa-se  friamente com fissão, fusão, Seleção,
porém jamais se livrará da ternura
ao falar de uma paixão.
Eh homem que finge.
Cria bens materiais para culpá-los do vazio
que no íntimo lhe aflige.
Oh homem, caro homem
livre-se dessa casca de padrão
e pare de crer que Marte será sua melhor
possibilidade de condição.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Recomendações das nuvens


Recomendações das nuvens

P;...P;...
Pin, Pin Pin...
Pinga! pinga!
Pingo pinga!
Perpetua tua sina!
Leva contigo a fruta, a lima,
As cores irreplicáveis surgidas aqui em cima!
Escoa teu encanto
Em forma de pranto
E com som de acalanto
Para que nos mais longínquos cantos
O sofredor da terra seja coberto por teu manto!
Abasteça o rio!
Molde o calcário!
Deixe uma dose de frio
Nas manhãs representadas pelo orvalho!


Victor Manoel.

Tropidurus

Tropidurus



Animalzinho de fácil convivência. Pequeno, quase sempre escondido motivado por seu sangue frio, ora sol ora sombra. Higienizador de quintais, combatente de tropas daqueles munidos com exoesqueleto, em principal a representação do abominável, para muitos, a pobre barata. Réptil por cumprir as exigências da classe, ele sem demasiado esforço muda seu plano de marchar, pouco importa se é vertical ou horizontal não tendo superfície deveras lisa seu andar é o mesmo. Pegou fama entre os meninos de “concordador” , todas as perguntas que lhe fazem a resposta em brusco movimento concordante é sempre a mesma, parece até que concorda por vontade. Criatura incrível, como todas as observadas com minúcia, suas defesas são um tanto drásticas, pois automutilação por contração muscular de um pedaço do corpo é um ato que lhe custa dor e imperfeição e produzir forte som na corrida descreio ser tão eficaz, mas se o perigo vem de um ser humano esse sim há de se espantar, sempre o primal pensamento é que seja um animal com grau de periculosidade maior.

Foi na Serra do Taquaril que num dia de grande agonia e busca incessante por respostas que não sei a origem das perguntas, fiz do nascer do Sol uma fonte de soluções, só não esperava vivenciar tamanha interação com o misterioso animal supracitado. Acordado desde o segundo cantar do galo, tomado por um desespero que incita o caminhar rumei antes do raiar do dia para o encontro do astro rei.
No trilhar, com a consciência obnubilada não sabia ao certo, mas para fins de momento tudo eram mensagens endereçadas a mim: o voo do mosquito, a placa do carro, o canto das aves, as cores das casas. Parecia que o segredo de todos os cosmos estava sendo revelado em singelas manifestações que deveria eu compreendê-las. Cheguei ao topo da serra onde se tem uma boa visão do banho de luz da vegetação, no entanto uma torre repousa nesse mesmo lugar impedindo assim a total harmonia com o meio, mas foi motivo de essa existir que nesse dia experimentei algo esplendoroso. Buscando cegamente por tais respostas me coloquei de costas para torre e frente ao leste esperando a magia acontecer. Estando ali por quase duas horas comecei a perceber a ridícula situação que me encontrara, logo decidi ir dali. Quando tomei a trilha de volta enxerguei preso dentro de um buraco cavado no muro que protege a torre um calango, que pelos indícios parecia ter adentrado ali devido seu reflexo ameaçador em um espelho ao fundo dessa incisão no cimento. Agora frente para torre e costas para leste, fiz um esforço hercúleo para retirar da prisão o inocente que mal sabia que era ele mesmo no espelho, a façanha deve ter perdurado por umas quatro dezenas de minutos até que o libertei passando pela fina tela que lhe deixou marcas.
Após o acontecido uma sensação de plenitude me tomou em involuntário abraço, pude perceber que aquele ser que não entendo sua fala e que acabara de ser liberto de alguma forma, como por gratidão, me doou as respostas que eu nem buscava, mas que eram as que eu realmente precisava.

Nesse dia o Sol não se mostrou; tempo de chuva. Banhei-me nela.  


Victor Manoel.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sujeição ao simples

Sujeição ao simples 

Nada é simples.
Nada é nada.
O que foi simples nada foi.
O simples por simples não existe.
Existir não é simples!
Os hábitos podem toldar a percepção do simples,
Pois o simples real
Doa a possibilidade
Socialmente inaceitável de ser
Simples.
De perceber o todo como teia harmonizada,
Talvez não bela,
De sucessões e acontecimentos.
O simples verdadeiro
Permite perceber::
A música luminosa das estrelas.
A arte em ponto e cruz da Lua.
A vida em onda de calor.
A aparição das cores no Sol nascente.
A carícia do vento.
A magia da semente.
A pequenez, mas não insignificante, condição humana.
O simples constituído de contemplação
Pode ser fonte da eterna satisfação e alegria
De um ser
SIMPLESMENTE HUMANO.


Victor Manoel

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Companheira

Companheira


Sempre vestida de branco e anil.
Carregada de amostras da terra Brasil,
No detalhe malhado
Diariamente ornado com:
Poeira; barro e toá.

Contigo já chorei, gritei e imaginei
Que amei.
Já subi, desci me despedi,
Consegui até me ferir.

No aconchego de teu colo
Cri ser tocado por gente,
Resultado da contemplação
Do infinito que forma tua corrente.

De braços dados fomos e iremos
Juntos no rumar.
Você concretização do podemos,
Não simples objeto de pedalar.


Victor Manoel.

MarcaDOR.


MarcaDOR.

Lá se foi mais um dia
Nas badaladas daquele que marca os minutos.
De hora em hora seu som me judia
Por sempre ouvi-lo sem nada resoluto.

Hora após hora o dia chega ao final
Por vezes lento,
Por outras tormento,
Mas esse são mesmo os de categoria normal.

De olhos atentos à sua cega e elétrica sina de girar
Ponho-me com muita profundidade a pensar
Como um objeto pode ter tal rotina de trabalho?
E eu por não ter tal rotina e ser humano nada valho?



Victor Manoel.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Um amor possível, segundo Nietzsche.

Um amor possível, segundo Nietzsche.


                       O amor duradouro é possível - até o amor feliz - porque que nunca tem fim a posse e a conquista de um ser humano. Incessantemente se desvendam novas profundezas, recantos inexplorados da alma, e a infinita avidez do amor se estende também a essas regiões. Mas o amor cessa desde que sentimos os limites de um ser. O conflito entre a paixão duradoura e a paixão efêmera se produz quando um dos dois julga possuir o outro a fundo e quando o outro não o julga ainda; é então que o primeiro retrocede, se esconde e, por seu próprio afastamento, incita o outro a procurar novos valores . Isso não impede que muitas vezes se resolva a matá-lo antes de deixá-lo tornar-se presa de terceiro.

Friedrich Wilhelm Nietzsche parágrafo 34 capítulo I livro II Vontade de potência.

sábado, 2 de novembro de 2013

DEU-Se

DEU-Se

Deu-se dessa forma:
Tudo criado
Tudo surgido
Mundo caiado com explicação morna

A forma de vida primal
Aparecida
Moldada
Todo o ocorrido num período semanal?

Nam! Nam! Não!
Esqueçam a indagação
Forma altamente punível
Demonstração clara de profanação.

O nu homem primeiro
Denominado Adão
Tome ele como eterna verdade
Senão, senão....



Victor Manoel

Haja Para (finalidade)

                                                            Haja Para (finalidade)

Haja calor
Para tão miúda roupa.
Haja furor
Para alegria tão pouca.
Haja pudor
Para existência tão louca.
Haja torpor
Para não atacar tua boca.




Aja Amor!
Porém, nunca lhe buscarei noutra.


Victor Manoel






segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Memórias de um passado não muito distante

Memórias de um passado não muito distante

Morto?!
Não, somente com as características que definem
Um:
Frio, por consequência;
Só, por delinquência;
Fechado, por impotência;
Enfeitado sem resistência
Imóvel sem veemência
Vazio sem consciência
Estirado com violência;
Deitado! com prudência e enfim;
Tapado com falsa complacência.



Victor Manoel

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ida

                                                                                 Ida

Passos
Passô
Ah sô,
Sô só.

Victor Manoel.