Bordado já começa com o dado.
A linha na agulha junta,
o que da alma foi separado.
O pano, vira palco do
Nó Encantado.
As mãos, atrizes de
Amor emaranhado.
Bordado já começa com o dado.
A linha na agulha junta,
o que da alma foi separado.
O pano, vira palco do
Nó Encantado.
As mãos, atrizes de
Amor emaranhado.
No embalar da rede mansa
ofereci meu corpo ao tempo.
E na ausência de pressa de quem descansa
fui embebido pelo momento.
A faísca subia
por entre as folhas do abacateiro
e teu corpo entregue, reluzia,
naquela noite de sonho verdadeiro.
As estrelas que outrora eram imensidão,
num momento de ternura, chegaram próximo à visão
e como nas fantasias que alimentam a imaginação
foram enfeites, na nossa noite de São João.
Rua de terra, cheiro de coco babaçu
calor de ficar quase nu
e a meninada no alvoroço do esconderijo.
A vida se concretizava em salvar a latrinha
no 20 a rua já estava vazia.
no 30 silenciosa
no 40 parecia desabitada
e finalmente no 50 o coração não cabia na boca.
Quem contava tinha que ficar de olhos atentos
a maestria de derribar a latrinha podia fazê-lo ou fazê-la contar novamente.
Assim a vida ia acontecendo
no pêndulo de derribar e levantar.
Victor Manoel.
A vida tocada em ré
não segue um linear.
Na sombra e na luz só é
uma pena de avoar
Que passa por sobre a terra
deslizando em caminhos,
às vezes acerta às vezes erra,
faz de rosa os espinhos.
Se fura o dedo e sangra
brinca com o vermelho forte
busca, nada, voa e anda,
procura o esconderijo da sorte.
Victor Manoel.
Três oreia veio junto com a boiada de leilão,
Chegando lá na fazendo já pulou do caminhão
Saiu numa valentia batendo os casco no chão eô
Depois dessa ousadia
Os vaqueiro e as montaria
Abriram uma correria pra pegar o bicho fujã oeô
A carrêra durou dia
Desistir ninguém podia
Os cavalo até gemia com o urro do boião eô
Enquanto o boi corria
Os vaqueiro se movia
Mas parece que ele sabia do destino do ferrão eô
Esse boi de valentia
Só queria sua alforria
Não comia nem bebia correndo nesse mundão eô
Pra findar a feitoria
Foi trazido um boi de guia
Que era o jeito que valia a força do nelorão eô
Depois de muito afamado
O nelore foi trelado
No chifre desse erado pra completa a missão eô
Foi assim que foi levado
Mas deixou muito acamado
Mais de cinquenta peão eô
Esse boi fez muita história
Guardei bem na minha memória
Sua força e sua feição eô
E lá vai a criança
Com a coragem debaixo do pé
Umas tralhas nos cantos da vida
E cheio de engenhoca pra justificar o dia
A outra criança é menor, mas só de tamanho
Leva a alegria entre os dentes
E a força bem guardada
No emaranhado dos cabelos.
De perto vão descobrindo o colorido da noite
E o escuro do dia.
O molhado da poeira
E a secura da água.
O balanço do muro
E o parado do balanço.
E mais de perto ainda vão descobrindo que:
Do avesso as coisas mostram seu interior.
Viver é cotidiano.
Reside na poeira sobre a mesa
a delicada percepção das mudanças.
Só com o olhar atento percebemos o amontoar de partículas
e o movimento da sua dança.
Tudo que fazemos, enquanto seres vivos, é rotineiro
o resto é trama pensada para nos tornar prisioneiro/a.
Invocamos na memória aquele pequeno segundo
escondido na lembrança
e nos dedicamos a pensar no infrequente, no invulgar, no inusitado,
prova maior do nosso engano,
pois o que realmente nos falta é
viver o cotidiano.